Por Martin Scott, 03 de Outubro de 2009
Vou tentar trabalhar a partir do fim. Eu sugiro que há uma “riqueza” em cada nação: os reis da terra irão levar suas riquezas para a Nova Jerusalém. Essa riqueza não pertence hereditariamente ao ‘rei’ ou às pessoas. As pessoas devem administrar a riqueza. Para descobri-la, desenvolve-la e então trazer “através” do reino vindouro.
Pureza étnica não é a qualificação primária para a mordomia. A genealogia de Jesus em Mateus demonstra que, mesmo para ser judeu, não é, primariamente, uma questão de sangue. Raabe, a prostituta, a esposa de Urias, o Hitita, Rute, a moabita; todos ganham menção aqui. Por isso, com relação à mordomia os habitantes originais – o povo da primeira nação – não são os únicos mordomos da terra.
Em Israel, houve espaço para aqueles que estavam ás margens, que não teriam uma herança na terra, se não fosse a graciosa lei de Deus dando-os um lugar. Israel teve de se comportar de uma maneira que era uma lembrança de sua própria condição anterior como escravos: sem terra e sem estado.
O nacionalismo diz “te mantemos afastado, essa é nossa terra”; o colonialismo diz “nós somos superiores e tomaremos o que quer quisermos”; a mordomia compreende que devemos administrar para Deus e aquele que virão e nos ajudarão – a despeito de questões étnicas – serão bem vindos para trabalhar lado a lado conosco.
Isso me levou a sugerir que haverá, pelo menos, três tipos de pessoas que estarão envolvidas nessa mordomia:
- Aqueles que nasceram na terra – e como ponto central disso a conexão com os habitantes originais/ o povo da primeira-nação será chave;
- Aqueles que têm uma herança lá em gerações passadas, mas que se mudaram. Eles podem ter perdido a conexão através de pecado ou falha familiar, ou por terem até pecado contra. Entretanto, devemos esperar uma temporada de filhos/filhas retornando às raízes – mesmo que seja uma raiz de várias gerações passadas. Mesmo quando há um hiato de gerações, chamados e unções antigas podem ser reconectadas – e eu creio que muitos chamados antigos foram usados erroneamente, mas ainda assim costumam servir como uma conexão redimida para eles.
- Aqueles que não têm conexão sanguínea, mas estão sendo chamados para administrar lado a lado com os dois grupos de pessoas citados acima. Deus moverá as pessoas através de fronteiras, que estiverem dispostas a se envolverem dentro de uma nova formatação em prol do propósito da mordomia.
Onde a mordomia não acontecer, eu creio que veremos um movimento maior de pessoas (chamado de ‘problemas de imigração’ em nosso tempo!!). O mundo ocidental está na berlinda. A mordomia entende a ordem de plantar e colher. Muitas economias ocidentais estão baseadas em emprestar do futuro e trazer para hoje – que é a ordem reversa. Logo, a próxima década verá a propriedade da terra/riqueza mudar das nações. Os antigos poderes coloniais poderão viver para ver que o que foi semeado em outros campos voltando para assombrá-los.
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Eu vejo o colonialismo como uma mentalidade “vamos consumir tudo!” e Nacionalismo como um “vamos consumir, mas sem esquecer de valorizar o que temos”. Para mim, mesmo que haja um discurso bonito, ambos querem consumir a terra – pelo menos é assim que vejo o que se passa no Brasil. De qualquer forma, as três posturas podem ser praticadas independentemente da nacionalidade/origem da pessoa, se trata de uma questão de modo de pensar.
Inicialmente considerei mordomia como “mantenedores dos tesouros do Senhor”. Como liberados para usar, mas, acima disso, responsáveis por cuidar. E cuidam não por causa de seu próprio futuro, mas por causa do Senhor da terra.
Depois disso fui ver o que na Bíblia dizia sobre Mordomia e encontrei a passagem de Lucas 12:42-48 (também em Mat 24:45-51). A parábola fala que o mordomo cuida, não por saber quem é o dono das terras, mas porque está prestes a voltar e Ele vai querer tudo em ordem e, por isso, o mordomo fica de vigília.
Pelo texto vê-se que o mordomo é apenas um servo com uma responsabilidade diferenciada e, com relação aos outros servos, tem a incumbência de dar-lhes comida no tempo devido, mas caso o Senhor retorne e encontre as coisas fora de ordem todos os que permitiram a desordem sofreriam pela falha. Logo, não é um título, mas tomar a responsabilidade para cuidar e servir.
Interessante que o mesmo texto pode ser facilmente aplicado num contexto de liderança: é uma condição temporária para fins específicos e prazo determinado. Apenas gerenciam, não possuem.
Vejo como uma abordagem parecida com a de 2Cor 5:20. Embaixadores ou mordomos, nosso poder é representativo e visa a manutenção/preservação. (Entraria aqui uma expectativa “multiplicação” tal como esperada em Mat 25:15-?)
Atenção. Vigilância. Cuidado. Preparação. É isso o que se espera do mordomo e o não cumprimento o levará a um domínio ‘colonialista’, pois a Escritura fala de que ele passa a comer, beber e maltratar os outros servos (Luk 12:45).
É isso que diria nesse momento após esses dois blogs sobre mordomia.
(Jonatas)


